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O propósito deste blog na sua forma completa é capacitar seus leitores a entenderem a Bíblia. Apresenta instrução básica eficiente do ponto de vista bíblico. Procura remover todas as falsas pressuposições racionalistas, moralistas, antropocêntricas e idólatras que já infectaram,e, na medida desta infecção, cegaram todo homem e toda cultura deste mundo a partir da queda de Adão.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
IGREJA, UMA SOCIEDADE COM RAZÃO OU UMA RAZÃO SOCIAL?
UMA IGREJA CRUCIFICADA
Em nossa
sociedade, há muitos fatores que militam contra a vida comunitária da igreja. Em
todos os lugares do mundo, as principais instituições estão sendo questionadas e
solapadas. As pressões mais fortes são sobre a família, a escola, a igreja e o
Estado. O poder institucional tem perdido a sua força. Assim como a família
passou a depender da família, a igreja depende da própria igreja. É nesse
ambiente, que vemos proliferar os mais diversos modelos de igreja:
igreja-escola, igreja shopping-center, igreja-teatro, igreja-midiática e a
igreja internauta, além de uma infinidade de outras formas inovadoras, mas que
não contemplam o espírito de comunidade. A grande questão não é tanto de forma,
mas de essência. Hoje, mais do que nunca, precisamos essencialmente de uma
igreja crucificada. A
igreja é uma comunidade de contracultura. É na comunidade que aprendemos
padrões, valores e ideais, ou seja, o nomos. Essa necessidade de ordem
(nomos) é que nos leva a classificar os objetos, distinguir formas e proporções,
dar nomes (nomos) e atribuir adjetivos. A ausência de significado, de
ordem, de nomos, de explicação produz no homem sentimentos de confusão,
falta de sentido e desespero. É isto que o homem pós-moderno tem experimentado
depois que lhe foram arrancadas as grandes utopias. O homem pós-moderno deixou
de ser gente. Ele é um ser fragmentado e desumanizado. Por esta razão, a igreja
é um dos poucos lugares onde as pessoas podem descobrir o mistério da vida e o
encantamento de ser pessoa humana. Porém, se a igreja incorporar os valores, os
códigos e a ética do mundo, ela deixa de cumprir sua função de sal e luz. Deste
modo, o mundo não consegue entender por que o Evangelho é
relevante.Um dos
valores centrais da fé cristã é a comunhão; a qual se desdobra em união e
unidade. Foi Deus quem chamou a Igreja à existência e nos reuniu como uma só
família. Pelo seu Santo Espírito, ele nos faz viver em unidade e harmonia com
todos os seus filhos. Ele nos fez parte do seu povo. A nossa vocação é
essencialmente relacional. Amados, amemos uns aos outros, pois o amor
procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 1 João
4.7. A igreja é
o espaço de comunhão dos
filhos de Deus e, ao experimentar conjuntamente o amor divino, desenvolvemos o significado de pessoa. Larry Crabb, em seu livro, O Lugar mais Seguro da Terra, defende que a igreja é este lugar. Na igreja as pessoas se conectam e são transformadas.Tão certo quanto as aves foram feitas para voar e os peixes para nadar, nós fomos feitos para a comunidade, para o tipo de comunidade que a Trindade vivencia, para a comunidade espiritual. E à medida que a vivenciamos, nós mudamos, crescemos, nos curamos.Uma igreja voltada para as pessoasA crise que as igrejas estão enfrentando também revela a nossa dificuldade de conceituar o que é a igreja. Talvez a nossa forte ênfase em uma espiritualidade pessoal, nos faz ter dificuldades para entender que fazemos parte de algo maior que nós: a congregação dos santos. Mas, antes de tentarmos defender a igreja frente a outras pessoas, nós mesmos precisamos repensar o que entendemos por igreja, e qual a sua função no mundo. Uma teologia enfraquecida tem fortes implicações sobre as nossas ações enquanto igreja. A teologia precede a prática.Afinal, o que nos impede de amar profundamente a nossa igreja e de nos entregar deliberadamente a uma vida comunitária? Eu diria que são três fatores: 1) os valores de nossa sociedade; 2) as nossas ênfases doutrinárias e 3) as nossas tendências pecaminosas. Os valores de nossa sociedade: Uma das características mais fortes de nossa cultura é o individualismo e seus perversos desdobramentos: a autonomia, a privatização da vida e o narcisismo, entre outros. O crente individualista tem ojeriza de qualquer relacionamento e compromisso que não o beneficie. As nossas ênfases doutrinárias: As igrejas que dão muita ênfase à depravação total do ser humano correm o risco de ter uma visão negativa e pessimista das pessoas. Esta concepção, quando não equilibrada com a teologia da criação, leva os crentes a uma atitude de desconfiança e indiferença para com as pessoas. Nossas tendências pecaminosas: Uma forte característica do pecado é o desejo pelo poder. A preferência pelo poder implica a necessidade de se negar o amor. Os dois jamais coexistem na experiência humana. Esta opção foi apresentada no Éden. Desde então, o homem tem escolhido a busca pelo poder e pelo controle, querendo ser igual a Deus. O resultado é uma competição desenfreada pela conquista de glória.Jesus demonstrou que os valores do Reino confrontam os valores deste mundo: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás os teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. Mateus 22.37-40. Aqui percebemos que Jesus ensinou que é preciso deixar de ser autocentralizado, para voltar-se completamente para Deus e para o próximo. Um dos maiores desafios da igreja nos dias de hoje é o desenvolvimento desta sensibilidade para com o outro. O pastor e professor Jorge Barro analisa: A igreja necessita de uma segunda conversão. Ela necessita converter-se ao próximo. A primeira conversão é à Deus, e a segunda é ao próximo.A igreja é a encarnação de Cristo na terra. Ela é a sua noiva. Ela está destinada a incorporar as paixões do seu Noivo. Cristo é exemplo de amor sacrificial, espírito de serviço humilde e abnegado. Ele convida a igreja a se identificar com os outros, da mesma forma que se identificou com pecadores na cruz, demonstrando até que ponto a solidariedade divina é capaz de chegar. Jesus espera de sua igreja uma vivência de encarnação, tal como ele propôs para se aproximar da humanidade. Ele não abriu um buraco no céu para nos anunciar sua vontade, mas encurtou a distância fazendo-se gente. É isso que Ele espera de sua noiva: que ela não tenha medo de sujar as mãos e de sentir as dores das pessoas que ainda não conhecem ao Deus crucificado. Uma igreja crucificadaUm dos maiores problemas das igrejas é que elas vivem somente para si mesmas. A igreja tem se tornado um fim em si mesma. Quando a comunidade deixa de ter consciência de sua missão, ela deixa de ser igreja, torna-se qualquer outra coisa, menos igreja. A única solução para recuperarmos a identidade da igreja e a sua função redentiva no mundo, é ela estar crucificada para si mesma. Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 2 Corintios 5.14-15. Se prestarmos atenção ao texto, percebemos que ele está no plural. A igreja é uma comunidade de crucificados, os quais não vivem mais para si mesmos, à cata de bênçãos, mas para em tudo, agradar ao Senhor da salvação. Uma igreja crucificada é voltada para Deus. Ela sabe que os verdadeiros relacionamentos não surgem por meio de técnicas e programas, mas do seu relacionamento profundo com Deus. Sabe que ela somente existe e persevera como povo de Deus, por causa da Nova Aliança. Por esta razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança. Hebreus 9.15. Uma igreja crucificada é marcada pela fé. Ela reconhece que somente o Evangelho de Deus é capaz de transformar vidas e realidades. Ela sabe que o Evangelho é capaz de transformar o homem por inteiro. Ela crê que o Evangelho não pode se restringir à crucificação de Cristo, mas deve contemplar a morte do velho homem para o pecado e a ressurreição do novo homem em Cristo. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. Romanos 6.11. Ela sabe reconhecer que somente as convicções doutrinárias não bastam. Vinculada à proclamação, deve haver, também, vidas transformadas pelo Evangelho. Uma igreja crucificada é marcada pela esperança. Supera a desconfiança e a visão pessimista do ser humano, ao conhecer o poder redentor do Evangelho da Graça. Não se fixa nas falhas e nos defeitos das pessoas, mas na manifestação da graça na vida do outro. Não é legalista e punitiva, mas graciosa e amorosa. Aceita as individualidades, pois sabe que há graus diferenciados de maturidade na fé cristã. As pessoas desenvolveram a confiança no outro, a ponto de compartilharem suas dificuldades e seus conflitos na busca de ajuda, reconhecendo o poder das amizades espirituais, como bálsamo para as feridas da alma.Uma igreja crucificada é marcada pelo amor. O amálgama da comunidade espiritual é o amor. O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 1 Coríntios. 13.4-7. Qual foi a última vez que você disse a um irmão em Cristo que o amava? Se faz tempo, não há problema, mas qual foi a última vez que demonstrou amor para um deles, superando a impaciência, a inveja, o orgulho, o egoísmo, o ressentimento e as suas falhas? Se eu não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine... nada serei... nada valerá. 1 Coríntios 13.1-3. Porém, ao abrir mão do controle e deixar o Espírito tomar conta, o amor irá contagiar a nossa comunidade, e esta contagiará a nossa sociedade.Apesar de todas as conspirações, sejam elas da sociedade ou do nosso próprio coração, é possível viver em comunidade. Somos vocacionados a reinventar a vida, e a Graça nos favorece nesse empreendimento. Ao conhecermos o amor verdadeiro, experimentamos o calor, a solidariedade, a intimidade, o aconchego, a liberdade, e o acolhimento do outro. Por esta razão, reiteramos que somente uma igreja crucificada é capaz de oferecer ao homem pós-moderno respostas redentivas de Deus e propostas concretas de vida abundante. De modo que em nós atua a morte, mas em vocês, a vida. 2 Coríntios 4.12. Solo Deo Glória | |
A SALVAÇÃO DA MINHA SALVAÇÃO
Ó Deus,
salva-me pelo teu nome, e faze-me justiça pelo teu poder. Salmo
54:1.
Davi estava fugindo da ira de Saul e
se escondeu em Horesa, nas cavernas da região de Zife. Subiram os zifeus, clã da
tribo de Judá, habitantes de Zife, e foram denunciar a Saul o refúgio de Davi.
Eles se ofereceram para levar o rei até o local e assim dariam cabo no
adversário do rei.
Parece que o assunto envolvia uma
questão de inveja. Davi, igualmente, pertencia à tribo de Judá e os zifeus
estavam com o cotovelo inchado. Dor de cotovelo mata. O cardeal de Nova York,
Fulton Sheen dizia: a inveja é o tributo que a mediocridade paga ao
mérito.
Tiago, o discípulo de Jesus, que em
outros tempos queria atear fogo nos samaritanos que se opuseram à permanência de
Jesus em seu território, sustentava ainda, com a consistência da verdade eterna,
este ponto básico: pois onde há inveja e sentimento faccioso, aí há
confusão e toda sorte de coisas ruins. Tiago 3:16.
Davi encontrava-se aparentemente
protegido no seu esconderijo. A região era deserta, difícil e as grutas
profundas e sinuosas. Seria muito complicado encontrá-lo naqueles confins se não
fossem os zifeus. Saul foi à caça do genro jurado de morte, com a pretensão de
pegá-lo e tirar-lhe a vida, mas a salvação do Senhor não é a caverna de Horesa,
mas Javé.
Davi percebeu a trama e fugiu para o
deserto de Maom. Saul saiu a perseguir Davi, mas um ia por uma banda do monte e
o outro saía pela outra banda. A mão do Senhor separou o caminho de ambos. Não
obstante, Saul e seu exército cercaram o bando de Davi. Parece que não haveria
mais saída. Parece, porém a salvação do Senhor não é o monte, mas Javé.
Então veio um mensageiro a Saul dizendo: apressa-te, e vem, porque os
filisteus invadiram a terra. 1 Samuel 23:27.
O rei precisava defender a nação de
um inimigo maior e abandonou o seu desafeto. Davi viveu uma temporada de férias.
Mas vieram os zifeus a Saul, a Gibeá, e disseram: não se acha Davi
escondido no outeiro de Haquilá defronte de Jesimom? 1 Samuel 26:1. O
olho gordo não pára de invejar e o invejoso nunca dá trégua. O invejoso é um
criador de caso por natureza e um câncer na coletividade. A inveja é um fogo que
consome por dentro e chamusca o que acha por fora.
Saul voltou furioso ao encalço de
Davi e o seu exército se acampou no outeiro de Haquilá, defronte da toca onde
Davi se abrigava com o seu grupo. Foi provavelmente por essa ocasião que o
salmista recebeu do Senhor o cântico 54 do livro dos Salmos, e entoou: Ó
Deus, salva-me pelo teu nome, e faze-me justiça pelo teu poder. Davi
compreendeu aqui e lá, em Horesa, que a salvação de Deus contra o seu inimigo,
não era um buraco na rocha, mas a própria Rocha eterna, a pessoa de Cristo.
Deus, porém, é meu socorro, o Senhor é quem sustenta a minha vida. Salmo
54:6. BJ.
Naquela noite Davi e Abisai, seu
ajudante mor, saíram da cova, do abrigo protetor e vieram ao arraial de Saul.
Todos dormiam em sono profundo. Davi passou pelos soldados e veio até o lugar em
que o rei Saul e o seu general Abner ressonavam. O sono não foi por sedativo.
Havia alguém por traz do coma coletivo, ninguém o viu, nem soube, nem se
despertou, pois todos dormiam, porquanto da parte do Senhor lhes havia caído
profundo sono. 1 Samuel 26:12b.
Abisai sugere que Davi mate o seu
adversário. Ao contrário disto, ele ora para que o Senhor o guarde de tocar nos
seus ungidos. Em seguida, Davi apanhou a lança que estava fincada próxima à
cabeceira de Saul e a bilha d’água, saindo outra vez daquele local para um ponto
estratégico. Os homens de Deus não são vingativos nem
perseguidores.
Lá do alto ele bradou para Abner
dizendo: não é bom isso que fizeste... vede agora onde está a lança do rei
e a bilha d’água, que tinha à sua cabeceira. 1 Samuel 26:16. Saul, Abner
e toda a corporação acordam perplexos e intuíram que Davi teve chance de
assassinar o rei, mas não o fez. A nobreza do homem de Deus aponta para um
caráter esculpido pelo Senhor.
Por outro lado, Davi entendeu que
sua salvação não estava em suas mãos, nem na sua estratégia, mas na pessoa do
próprio Deus. Então, mostra-se dependente da estima do Senhor e não do favor
humano, citando para Saul: Assim como foi a tua vida hoje de muita estima
aos meus olhos, assim seja a minha aos olhos do Senhor, e ele me livre de toda
tribulação. 1 Samuel 26:24.
Esta história salienta alguns pontos
interessantes: por exemplo, a salvação de Deus é o próprio Deus salvando. Um dos
grandes problemas do povo de Deus é confiar numa salvação relacionada ao seu
desempenho. A salvação da minha salvação significa libertar-me de todos os
recursos que dependam da minha atuação pessoal. Davi enxergou: ó Deus,
salva-me pelo teu nome, e faze-me justiça pelo teu poder. Não era a toca
a salvação de Davi, mas o toque do Senhor em sua vida.
Muitos se apóiam em doutrinas,
conhecimento, rituais, montes, cavernas e coisas visíveis e concretas. Outros se
preocupam com o que fazem no dia a dia, como orações, leitura bíblica,
evangelização, boas obras, justiça, contribuição, conduta, santidade e um montão
de expedientes práticos da nossa realidade espiritual. Todas estas coisas são
importantes, porém tudo isto não é propriamente a nossa salvação. Ainda que
reflita um procedimento salvo, não é a salvação do Senhor.
A salvação de Deus também não é
participar no meio do seu povo. Houve uma época na história da igreja em que se
dizia: não há salvação fora da igreja. Embora os salvos sejam membros do
corpo de Cristo, não é o convívio ou a membresia com os eleitos de Deus que
garantem a salvação. Os salvos em Cristo são a Igreja de Cristo, mas nem todos
que estão na igreja são salvos por Cristo.
O profeta da Antiga Aliança, de
caráter evangélico, apreendeu muito bem o significado da salvação de Deus.
Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei, porque o Senhor
Deus é a minha força e o meu cântico; ele se tornou a minha salvação. Isaías
12:2. Está claro aqui que a salvação de Deus não é uma doutrina, nem um
sistema, mas uma pessoa. O próprio Deus é a salvação de Deus. Ele não tem um
método ou um modelo de salvação. Ele mesmo é a salvação.
Todos nós precisamos ser salvos da
nossa salvação, quando esta for qualquer coisa que não seja a pessoa do próprio
Deus. Só Deus poderá salvar o pecador de sua arrogância pecaminosa e só ele nos
fará dependentes dele mesmo. Assim, a Trindade definiu o Verbo divino como o
Salvador e a salvação da espécie humana. A salvação da minha salvação é a minha
desistência de me salvar.
A Bíblia nos assegura que no
princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. João
1:1. Cristo é o Verbo do Pai, o Salvador e a salvação do pecador. As
religiões pregam a salvação pelo desempenho humano, o evangelho pela suficiência
da pessoa e obra de Cristo.
Cristo, no princípio, era o Verbo
que era Deus, mas no acontecimento da salvação, o Verbo, que é Deus, se fez
carne para habitar entre nós, assumir o nosso pecado, morrer em nosso favor e
nos incluir no seu sacrifício, a fim de nós morrermos juntamente com ele, uma
vez que, não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe
nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.
Atos 4:12.
A salvação de Deus requer a morte do
pecador. A lei exige a pena de morte para o transgressor e o réu tem
necessariamente que morrer. No juízo de Deus não há comutação para a sentença.
Isto aqui não é uma peça de teatro no sertão de Pernambuco na Semana da Paixão.
A cruz é o tribunal de Deus e o infrator da lei tem que morrer juntamente com
Cristo. Não há alternativa.
A salvação de Deus é Cristo Jesus; a
santificação de Deus é o crescimento da vida de Cristo em nós, enquanto a
glorificação de Deus é a nossa transformação à semelhança de Cristo. Ele é o
único caminho que nos leva ao Pai. Ora, se Cristo é o caminho, por que perder
tempo em outras estradas? Eu preciso ser salvo da minha salvação baseada em
meus valores. Eu preciso sair da caverna e andar no arraial do inimigo, sabendo
que só Jesus é a garantia da minha segurança.
Isto não significa que eu deva
permanecer o tempo todo inativo. A salvação de Deus requer uma co-participação
do crente. No entanto, esta colaboração é patrocinada e promovida pela graça. No
reino de Deus não há lugar para vadiagem, mas também não há espaço para
executivos, visto que, Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o
realizar, segundo a sua boa vontade. Filipenses 2:13. Os filhos de Aba
não são desocupados, todavia não são workaholics frenéticos.
A graça de
Deus na vida dos santos é operante e ninguém pode ser mais ativo do que os
verdadeiros filhos de Deus. Paulo tinha conhecimento do que falava. Quando
alguns o acusaram de apostolado inoperante, ele respondeu: mas, pela graça
de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã,
antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de
Deus comigo. 1 Coríntios 15:10.
A vida cristã é demarcada por
intensa operosidade e profunda ociosidade. Isto parece contraditório, mas não é.
Mesmo que o ócio seja o oposto do negócio, no reino de Deus o ócio é o tempo de
intimidade com Cristo, exatamente de quem procede toda a ação dos filhos de
Deus. Aqui estão os efeitos eternos da salvação: comunhão com o Filho e
dependência total dele. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão
de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. 1 Coríntios 1:9. A salvação da
minha salvação acontece na comunhão plena com Cristo, onde reside tudo o que
significa a salvação de Deus. Amém.
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
OVELHAS NÃO PASTOREADAS
Se não estamos enganados, há um crescente número de crentes infelizes. Sua infelicidade não resulta de uma natural indiferença ou de um descontentamento temperamental, e sim de sua insatisfação com aquilo que, em suas igrejas, lhes está sendo oferecido sob o nome de adoração e pregação. Sentimos profunda compaixão por esses crentes. Eles merecem atenção especial, e devemos orar com regularidade em seu favor. Nas últimas décadas, têm existido tantos ventos de doutrina soprando sobre as igrejas, que com justiça podemos dizer: tais ventos de doutrinas atingiram proporções de um tufão. Mas o problema não se limita à doutrina. Estende-se a formas e estilos de adoração pública. Se têm fundamento os rumores que chegam aos nossos ouvidos, parece que metade das igrejas que outrora eram saudáveis e evangélicas entraram em uma segunda infância. Com frequência, a única qualificação necessária para que os adoradores recebam aceitação de seus líderes é serem capazes de levantar as mãos e balançarem-nas, assim como as folhas de uma palmeira ao vento, e serem fluentes em falar palavras incompreensíveis. Possuir uma mente capaz de avaliar essas coisas é uma desvantagem positiva, visto que coloca a pessoa que a possui na indesejável posição de compreender quão ridícula e sem proveito é essa situação.
Igrejas em confusão
Devem existir diversos fatores que levaram igrejas evangélicas, no passado grandes e firmes, a decidirem-se por uma adoração infantil. Um desses fatores é a necessidade que muitos sentiram quanto ao cuidado pelos jovens. Entre 1960 e 1970 ficou evidente que a geração em crescimento estava se tornando desinteressada em ir às igrejas. Os jovens não eram mais atraídos aos cultos pelos velhos hábitos das gerações anteriores, mas foram envenenados em relação às coisas de Deus por meio da música popular daquela época e por meio da galopante influência da televisão e dos esportes. Esse fenômeno levou muitos líderes de igrejas evangélicas a se preocuparem intensamente a respeito de sua "imagem" aos olhos dos jovens. Pensava-se que não era mais possível aos pais crentes disciplinarem seus lares ou preservarem seus filhos incontaminados pelo mundo. A culpa, dizia-se, era da própria igreja, que permanecia "antiquada" e não proporcionava "empolgação" ou "atrativos". Se os jovens deveriam ser preservados do mundo(traga o mundo para dentro da igreja),novos e mais estimulantes estilos de adoração precisavam ser introduzidos na igreja. Desse modo, o argumento se propagou.
Sem dúvida, esse tipo de raciocínio resultou em uma boa medida de incredulidade. Os líderes, em muitos casos com bons motivos e pressentimentos intimos, cederam aos jovens a maneira de conduzir a adoração na igreja. Pouco a pouco, a confusão se espalhou. Seriedade e ordem, antes sustentadas como virtudes elementares na adoração ao Todo-Poderoso, foram ridicularizadas como arqui-inimigas da adoração espiritual. "Liberdade e espontaneidade" tornaram-se as novas regras da adoração. Afinal de contas, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade; e não deveria tal liberdade estar disponível a todos os crentes? Acabemos com os grilhões que prendiam as gerações anteriores! Finalmente, chegara a época da adoração. Homens, mulheres,crianças e jovens, todos deveriam ter liberdade de participarem ativa e audivelmente. Os resultados estão conosco até hoje. Os frutos de uma anarquia geral de adoração são estes: o barulho suplanta a reverência e a superficialidade substitui a maturidade espiritual, enquanto outras coisas menos importantes reduzem o tempo da pregação da Palavra. Como alguém tem dito; o adorador típico bem poderia deixar em casa a sua cabeça ao vir à igreja, porque essa parte de seu corpo é irrelevante enquanto participa desse tipo de culto.
Grande prejuizo aos verdadeiros crentes
Nosso propósito ao salientar esses males é procurar mostrar quão prejudicial eles são ao verdadeiro rebanho de Cristo.Aqueles que desejam alimentar sua alma e vêm a igreja com interesse podem ficar alarmados e ofendidos diante dessa adoração superficial. Os filhos da graça sabem que Deus é glorioso em santidade. Eles vão à casa do Senhor com reverência e temor. O Espírito Santo lhes ensina que precisam ter uma atitude sublime e reverente em relação a qualquer coisa e a tudo que se refere à adoração a Deus. Anelam sentir a presença de Deus em seus corações e desejam muito que a verdade de Deus se torne poderosa e clara em suas mentes. Ficam indignados em seus corações, quando vêem outros crentes adorando motivados por coisas irrelevantes, quer na adoração, quer na pregação. Sentem-se tristes, pois sabem que o Espírito do Senhor está sendo entristecido.Infelizmente, isso é o que está acontecendo em igrejas evangélicas de todas as denominações. Crentes sérios, que seriam capazes de dar a sua vida por Cristo, se lhes fosse exigido, estão sendo levados a sentirem-se mal acolhidos em suas próprias igrejas. Sua espiritualidade é considerada como desajeitada. Grande parte dos crentes maduros na igreja estão sentindo-se isolados por seus companheiros, por não poderem entoar canções festivas que os outros utilizam em nome da "adoração". Assim, existe uma situação em que o culto é frequentemente um teste de paciência, ao invés de ser um tempo de devoção para o povo de Deus. Os crentes maduros não querem criar problema, mas suas consciências agravadas não podem aprovar as novas músicas, cânticos e hinos, as gesticulações e a nova atmosfera nos lugares onde anteriormente eles e seus pais adoravam a Deus com santo temor.
A espiritualidade em jogo
Sem dúvida, essa não é uma simples questão de época ou de geração. Mas do que isso, é uma questão de espiritualidade, maturidade e conhecimento. Existem crentes velhos que se comportam como crianças. Mas, graças a Deus, também existem crentes novos que têm feito bom uso das Escrituras, de livros evangélicos e confissões de fé ao ponto de serem já crentes firmes e bem instruídos.
Pessoas espirituais vêm à igreja para encontrar-se com Deus; não desejam que entretenimento lhes seja oferecido. Aqueles que desejam entretenimento podem obtê-lo a qualquer hora, indo a teatro e lugares de diversão, onde lhes será abundantemente oferecido por pessoas do mundo. Na vida cristã, existe lugar para diversão e alegria saudável e pura. O povo de Deus precisa tempo de sorrir, assim como as outras pessoas. Enquanto eles evitam formas de entretenimento mundanos, não se recusam a ocasionalmente desfrutarem de alegria e despreocupação.
Mas o povo de Deus não vai à igreja em busca de divertimento. Não procura entretenimento, tampouco sente-se tranquilo ao encontrá-lo na igreja. Adoração e entretenimento nunca andam juntos; adoração e leviandade jamais caminham lado a lado. O que está em jogo em tudo isso é aquela preciosa coisa que chamamos espiritualidade. O homem espiritual treme diante da Palavra de Deus e possui um elavado conceito sobre cada aspecto e elemento da adoração a Deus. Ele não apenas exige espiritualidade na pregação; também exige e espera vê-la na leitura da Bíblia, nas orações públicas e na mensagem e tonalidade dos cânticos espirituais. Ele anela contemplar espiritualidade na casa de Deus e tem todo o direito de encontrá-la ali.
Solidão espiritual
Não é difícil perceber porque muitos do povo de Cristo hoje são crentes solitários no meio da multidão reunida na igreja. Eles se alegram quando o templo está repleto de pessoas, mas ficam perturbados se percebem que nada existe na igreja, exceto uma multidão barulhenta. Estão propensos a questionar, com admiração, se, afinal de contas, cem adoradores - ou mesmo vinte e cinco - não é preferível a uma multidão irreverente. Isto não deve ser confundido com uma mentalidade de "pequeno rebanho". Não aplaudimos a teoria de que as igrejas devem sempre ser pequenas. Pelo contrário, em nossa opinião elas devem ser grandes. Pensamos que igrejas com mil membros não são grandes demais. Desejamos que nosso país se encha desse tipo de igrejas.No entanto, ter muitos membros apenas por amor a números em geral é uma traição a Cristo. A liderança abaixa os padrões de santidade para atrair grande número de pessoas. Em um ponto crítico desse processo de diluição, a adoração deixa completamente de ser reconhecida como adoração por aqueles que andam em intimidade com Deus. O número de membros talvez aumente, mas o crente espiritual e solitário, que testemunha esse declínio, receia que o Espírito Santo esteja sendo abafado e Se retraindo."Icabode" é o verdadeiro nome de tal igreja. É quase impossível acharmos comunhão espiritual. Os poucos crentes realmente santos que restam isolam-se e mantêm-se solitários. Nenhuma solidão é tão difícil de ser suportada quanto a solidão experimentada em meio a multidões. Quantos crentes percebem essa situação em suas próprias igrejas! São os últimos a falarem sobre isso, porque são pessoas pacientes, dedicadas a oração e longânimes. Não é bom para seus pastores e líderes permitirem que situações como esta permaneçam em suas igrejas. Ao diluírem a adoração, atraíram à igreja multidões inconstantes, e entristeceram o coração dos justos.
Prejuízos resultantes da mudança
Existem prejuizos visíveis resultantes desse tipo de mudança sobre a qual já falamos. Um destes prejuízos é o tratamento cruel demonstrado ocasionalmente à ovelhas fiéis que se recusam a mudar. Devido ao fato que eles não podem, em boa consciência, seguir a debanda geral para "abrilhantar" a adoração a Deus, bons ministros do evangelho têm de abandonar suas igrejas. Não se leva em conta que eles passaram vinte ou trinta anos expondo com fidelidade e devoção a Palavra de Deus aos seus rebanhos. Seu crime é resistirem ao clamor universal por inovações. Portanto, esses homens bons têm de ceder lugar ao menu de aprimoramentos que pastores jovens e líderes fracos insistem em oferecer à igreja.Outro fruto menos agourento desse novo estilo de vida da igreja é o surgimento, em nossa época, da rejeição da lei de Deus na vida prática. Alguém pode evitar referir-se a isso em detalhes; mas o fruto evidente é que os novos membros de igreja têm se revelado menos felizes em resistir á tentação do que os crentes antigos costumavam ser. Sem dúvida houve excesso de severidade na adoração praticada por igrejas do passado. Mas os crentes sentiam-se seguros. Eles não brincavam com a tentação. Não apelavam à carne. As pessoas vinham à casa de Deus com roupas estritamente adequadas e decoro completo. Infelizmente, isso não pode ser dito sobre muitos dos cultos modernos. Uma grande multidão diversificada na casa de Deus abaixa todo o nível da adoração. Todo pastor sabe que existem prejuízos morais resultantes dessa falta de santidade prática. Não deveria ser assim. É uma consolação para as ovelhas de Cristo não pastoreadas saberem que nos céus elas têm um Pastor que contempla seu estado.
Solo Deo Glória.
Grande prejuizo aos verdadeiros crentes
Nosso propósito ao salientar esses males é procurar mostrar quão prejudicial eles são ao verdadeiro rebanho de Cristo.Aqueles que desejam alimentar sua alma e vêm a igreja com interesse podem ficar alarmados e ofendidos diante dessa adoração superficial. Os filhos da graça sabem que Deus é glorioso em santidade. Eles vão à casa do Senhor com reverência e temor. O Espírito Santo lhes ensina que precisam ter uma atitude sublime e reverente em relação a qualquer coisa e a tudo que se refere à adoração a Deus. Anelam sentir a presença de Deus em seus corações e desejam muito que a verdade de Deus se torne poderosa e clara em suas mentes. Ficam indignados em seus corações, quando vêem outros crentes adorando motivados por coisas irrelevantes, quer na adoração, quer na pregação. Sentem-se tristes, pois sabem que o Espírito do Senhor está sendo entristecido.Infelizmente, isso é o que está acontecendo em igrejas evangélicas de todas as denominações. Crentes sérios, que seriam capazes de dar a sua vida por Cristo, se lhes fosse exigido, estão sendo levados a sentirem-se mal acolhidos em suas próprias igrejas. Sua espiritualidade é considerada como desajeitada. Grande parte dos crentes maduros na igreja estão sentindo-se isolados por seus companheiros, por não poderem entoar canções festivas que os outros utilizam em nome da "adoração". Assim, existe uma situação em que o culto é frequentemente um teste de paciência, ao invés de ser um tempo de devoção para o povo de Deus. Os crentes maduros não querem criar problema, mas suas consciências agravadas não podem aprovar as novas músicas, cânticos e hinos, as gesticulações e a nova atmosfera nos lugares onde anteriormente eles e seus pais adoravam a Deus com santo temor.
A espiritualidade em jogo
Sem dúvida, essa não é uma simples questão de época ou de geração. Mas do que isso, é uma questão de espiritualidade, maturidade e conhecimento. Existem crentes velhos que se comportam como crianças. Mas, graças a Deus, também existem crentes novos que têm feito bom uso das Escrituras, de livros evangélicos e confissões de fé ao ponto de serem já crentes firmes e bem instruídos.
Pessoas espirituais vêm à igreja para encontrar-se com Deus; não desejam que entretenimento lhes seja oferecido. Aqueles que desejam entretenimento podem obtê-lo a qualquer hora, indo a teatro e lugares de diversão, onde lhes será abundantemente oferecido por pessoas do mundo. Na vida cristã, existe lugar para diversão e alegria saudável e pura. O povo de Deus precisa tempo de sorrir, assim como as outras pessoas. Enquanto eles evitam formas de entretenimento mundanos, não se recusam a ocasionalmente desfrutarem de alegria e despreocupação.
Mas o povo de Deus não vai à igreja em busca de divertimento. Não procura entretenimento, tampouco sente-se tranquilo ao encontrá-lo na igreja. Adoração e entretenimento nunca andam juntos; adoração e leviandade jamais caminham lado a lado. O que está em jogo em tudo isso é aquela preciosa coisa que chamamos espiritualidade. O homem espiritual treme diante da Palavra de Deus e possui um elavado conceito sobre cada aspecto e elemento da adoração a Deus. Ele não apenas exige espiritualidade na pregação; também exige e espera vê-la na leitura da Bíblia, nas orações públicas e na mensagem e tonalidade dos cânticos espirituais. Ele anela contemplar espiritualidade na casa de Deus e tem todo o direito de encontrá-la ali.
Solidão espiritual
Não é difícil perceber porque muitos do povo de Cristo hoje são crentes solitários no meio da multidão reunida na igreja. Eles se alegram quando o templo está repleto de pessoas, mas ficam perturbados se percebem que nada existe na igreja, exceto uma multidão barulhenta. Estão propensos a questionar, com admiração, se, afinal de contas, cem adoradores - ou mesmo vinte e cinco - não é preferível a uma multidão irreverente. Isto não deve ser confundido com uma mentalidade de "pequeno rebanho". Não aplaudimos a teoria de que as igrejas devem sempre ser pequenas. Pelo contrário, em nossa opinião elas devem ser grandes. Pensamos que igrejas com mil membros não são grandes demais. Desejamos que nosso país se encha desse tipo de igrejas.No entanto, ter muitos membros apenas por amor a números em geral é uma traição a Cristo. A liderança abaixa os padrões de santidade para atrair grande número de pessoas. Em um ponto crítico desse processo de diluição, a adoração deixa completamente de ser reconhecida como adoração por aqueles que andam em intimidade com Deus. O número de membros talvez aumente, mas o crente espiritual e solitário, que testemunha esse declínio, receia que o Espírito Santo esteja sendo abafado e Se retraindo."Icabode" é o verdadeiro nome de tal igreja. É quase impossível acharmos comunhão espiritual. Os poucos crentes realmente santos que restam isolam-se e mantêm-se solitários. Nenhuma solidão é tão difícil de ser suportada quanto a solidão experimentada em meio a multidões. Quantos crentes percebem essa situação em suas próprias igrejas! São os últimos a falarem sobre isso, porque são pessoas pacientes, dedicadas a oração e longânimes. Não é bom para seus pastores e líderes permitirem que situações como esta permaneçam em suas igrejas. Ao diluírem a adoração, atraíram à igreja multidões inconstantes, e entristeceram o coração dos justos.
Prejuízos resultantes da mudança
Existem prejuizos visíveis resultantes desse tipo de mudança sobre a qual já falamos. Um destes prejuízos é o tratamento cruel demonstrado ocasionalmente à ovelhas fiéis que se recusam a mudar. Devido ao fato que eles não podem, em boa consciência, seguir a debanda geral para "abrilhantar" a adoração a Deus, bons ministros do evangelho têm de abandonar suas igrejas. Não se leva em conta que eles passaram vinte ou trinta anos expondo com fidelidade e devoção a Palavra de Deus aos seus rebanhos. Seu crime é resistirem ao clamor universal por inovações. Portanto, esses homens bons têm de ceder lugar ao menu de aprimoramentos que pastores jovens e líderes fracos insistem em oferecer à igreja.Outro fruto menos agourento desse novo estilo de vida da igreja é o surgimento, em nossa época, da rejeição da lei de Deus na vida prática. Alguém pode evitar referir-se a isso em detalhes; mas o fruto evidente é que os novos membros de igreja têm se revelado menos felizes em resistir á tentação do que os crentes antigos costumavam ser. Sem dúvida houve excesso de severidade na adoração praticada por igrejas do passado. Mas os crentes sentiam-se seguros. Eles não brincavam com a tentação. Não apelavam à carne. As pessoas vinham à casa de Deus com roupas estritamente adequadas e decoro completo. Infelizmente, isso não pode ser dito sobre muitos dos cultos modernos. Uma grande multidão diversificada na casa de Deus abaixa todo o nível da adoração. Todo pastor sabe que existem prejuízos morais resultantes dessa falta de santidade prática. Não deveria ser assim. É uma consolação para as ovelhas de Cristo não pastoreadas saberem que nos céus elas têm um Pastor que contempla seu estado.
Solo Deo Glória.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
"QUEM ME LIVRARÁ DO CORPO DESTA MORTE?
Faremos mais algumas poucas observações sobre essas palavras finais de Romanos 7.
"Quem me livrará do corpo desta morte?" "Quem me livrará?" Esta não é uma línguagem de desespero, e sim de um desejo ardente de ajuda de fora e do alto. Aquilo do que o apóstolo desejava ser livre é chamado de "o corpo desta morte". Esta é uma expressão figurada, pois a natureza carnal é chamada de "o corpo do pecado" e vista como algo que tem "membros"(Rm 7.23). Portanto, entendemos que as palavras do apóstolo significam:"Quem me livrará desse fardo mortal e pernicioso - meu eu pecaminoso?!"
No versículo seguinte, o apóstolo responde essa pergunta:"Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor"(Rm 7.25). Deve ser óbvio para qualquer mente imparcial que isso aponta para o futuro. Paulo havia perguntado:"Quem me livrará?" A sua resposta foi:Jesus Cristo me livrará. Isso expõe o erro daqueles que ensinam uma libertação presente da natureza carnal, por intermédio do poder do Espírito Santo. Em sua resposta, o apóstolo não falou nada sobre o Espírito Santo; ao invés disso, ele mencionou apenas "Jesus Cristo, nosso Senhor". Não é por meio da obra presente do Espírito Santo em nós que os crentes serão libertados " do corpo desta morte", e sim por meio da vinda futura do Senhor Jesus Cristo para nós. Naquele tempo, esse corpo mortal será revestido de imortalidade, e a nossa corrupção, de incorrupção. Como se estivesse pensando em remover toda dúvida a respeito de que essa libertação ocorrerá no futuro, o apóstolo concluiu dizendo:"De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado". O leitor deve observar cuidadosamente que Paulo havia agradecido a Deus pelo fato de que ele seria libertado. A última parte do versículo 25 resume o que ele havia dito na segunda parte de Romanos 7; descreve a vida dupla do crente. A nova natureza serve a lei de Deus; a velha natureza, até ao final da História, servirá à "lei do pecado".Que isso aconteceu com o apóstolo Paulo é evidente das palavras que ele escreveu no final de sua vida, quando chamou a si mesmo de"o principal"dos pecadores(1 Tm 1.15). Essa afirmativa não era um exagero de fervor evangelístico, nem mesmo um motejo de modesta hipocrisia. Era uma convicção segura, uma experiência vivenciada, uma conscientização firme de alguém que viu com amplitude as profundezas da corrupção que havia em seu próprio íntimo e que sabia o quanto ficava aquém de atingir o padrão de santidade que Deus havia colocado diante dele. Essa também é a convicção e a confissão de todo crente que não se encontra cativo ao preconceito. E o resultado dessa convicção fará o crente desejar mais intensamente o livramento e agradecer a Deus com mais fervor pela promessa do livramento, na vinda de nosso Senhor, "o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas"(Fp 3.20). E, havendo feito isso, o Senhor Jesus nos apresentará, "com exultação, imaculados diante da sua glória"(Jd.24). Aleluia! Que grande Salvador!
É admirável que somente mais uma vez a palavra"desventurado"é utilizada no Novo Testamento(no texto grego). Essa outra ocorrência está em Apocalipse 3.17, onde Cristo disse à igreja de Laodicéia:"Nem sabes que tu és infeliz". A arrogância dos membros dessa igreja era que eles não precisavam" de coisa alguma". Eles estavam tão inchados com a soberba, tão satisfeitos com o que haviam atingido, que não tinham consciência de sua própria miséria. E não é isso mesmo que testemunhamos em nossos dias? Não é evidente que estamos vivendo no período laodiceiano da igreja? Muitos estavam cônscios da "necessidade", mas agora imaginam que recaberam a "segunda bênção", ou que obtiveram o "batismo do Espírito Santo", ou que entraram na "vitória". E, imaginando isso, pensam que sua necessidade foi satisfeita. E a prova disso é que eles vivem em uma atmosfera de tal superioridade espiritual, que nos dirão haverem saído de Romanos 7 e entrado na experiência de Romanos 8. Com desprezível complacência, eles nos dirão que Romanos 7 não descreve mais a experiência deles. Com presunçosa satisfação, eles olharão com piedade para o crente que clama: "Desventurado homem que sou!" e como o fariseu, no templo, agradecerão a Deus porque a situação deles é diferente. Pobres almas cegas! É exatamente o que o Filho de Deus afirma nessa passagem de Apocalipse:"Nem sabes que tu és infeliz". Nós dissemos:"Almas cegas", porque observamos que é para os crentes laodicenses que Jesus declara:"Aconselho-te que de mim compres..colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas"(Ap 3.19).
Devemos observar que na segunda parte de Romanos 7 o apóstolo Paulo fala no singular. Isso é admirável e bastante abençoador. O Espírito Santo desejava transmitir-nos a verdade de que mesmo as mais elevadas realizações na graça não isentam o crente da dolorosa experiência ali descrita. Com o pincel de um artista, o apóstolo retratou - utilizando a si mesmo como o objeto da pintura - a luta espiritual do filho de Deus. Ele ilustrou, por referir-se à sua própria experiência, o conflito incessante que se realiza entre duas naturezas antagonistas naquele que nasceu de novo.
Que, em sua misericórdia, Deus nos liberte do espírito de orgulho que agora corrompe o ambiente do evangelicalismo moderno e nos conceda um humilde ponto de vista a respeito de nossa própria impureza; fazendo-o de tal modo que nos unamos ao apóstolo Paulo em clamar com um fervor cada vez mais profundo: "Desventurado homem que sou!" Sim, que Deus outorgue tanto ao autor dessas linhas quanto ao seu leitor uma tão grande percepção de sua própria depravação e indignidade, que eles realmente se prostrem no pó, diante de Deus, e O adorem por sua maravilhosa graça para com esses pecadores que merecem o inferno.
Solo Deo Glória
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
"DESVENTURADO HOMEM QUE SOU II "
Aquele que se curva diante do solene e perscrutador ensino da Palavra de Deus, aquele que nela aprende a terrível ruína que o pecado tem realizado na constituição do ser humano, aquele que percebe o padrão elevado que Deus nos tem proposto não falhará em descobrir que é um ser maligno e vil. Se ele se esforça para perceber o quanto tem falhado em alcançar o padrão de Deus; se, na luz do santuário divino, ele descobre quão pouco se parece com o Cristo de Deus, então, reconhecerá que essa linguagem de Romanos 7 é muito apropriada para descrever sua tristeza espiritual. Se Deus lhe revela a frieza de seu amor, o orgulho de seu coração, as vagueações, de sua mente, o mal que contamina suas atitudes piedosas, o crente haverá de clamar: "Desventurado homem que sou!" Se o crente estiver consciente de sua ingratidão e de quão pouco ele tem apreciado as misericórdias diárias de Deus; se o crente percebe a ausência daquele fervor profundo e genuíno que tem de caracterizar seus louvores e sua adoração Áquele que é "glorificado em santidade" (Ex.15.11);se o crente reconhece o espírito pecaminoso de rebeldia que, com frequência, o faz murmurar ou irrita-o contra as realizações dEle em sua vida cotidiana; se o crente admite que está ciente não apenas de seus pecados de comissão, mas também daqueles de omissão,dos quais ele é culpado todos os dias, ele realmente clamará: "Desventurado homem que sou!" Esse clamor não será proferido apenas por aquele crente que se acha afastado do Senhor. Aquele que está em comunhão verdadeira com o Senhor Jesus também emitirá esse gemido, todos os dias e todas as horas. Sim, quanto mais o crente se achega a Cristo, tanto mais ele descobrirá as corrupções de sua velha natureza, e tanto mais ardentemente desejará ser liberto de tal natureza. É somente quando a luz do sol inunda um cômodo que a poeira e a sujeira são completamente revelados. Quando estamos realmente na presença dAquele que é luz, ficamos conscientes da impureza e impiedade que habita em nós e contamina cada parte de nosso ser. E essa descoberta nos levará a clamar: "Desventurado homem que sou!"
"Mas", talvez alguns perguntem, "a comunhão com Cristo não produz regozijo, ao invés de gemidos?" Respondemos que a comunhão com Cristo produz ambas as coisas. Isso aconteceu com Paulo. Em Romanos 7.22, ele afirmou:"Tenho prazer na lei de Deus". Logo em seguida, porém, ele clamou:"Desventurado homem que sou!" Outras passagens também nos mostram isso. Em 2 Coríntios 6, Paulo disse:"Entristecidos, mas sempre alegres"(v.10) -entristecido por causa de suas falhas, por causa de seus pecados diários; alegre por causa da graça que ainda permanecia com ele e por causa da bendita provisão que Deus fizera até para os pecados de seus santos. Também em Romanos 8, depois de haver declarado:"Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus"(v.1);"Opróprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados"(vv.16-17), o apóstolo Paulo acrescentou: "Também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo"(v.23). O ensino do apóstolo Pedro é semelhante ao de Paulo - "Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações"(1 Pe 1.6).Tristeza e gemido não se encontram ausentes no mais elevado nível de espiritualidade. Nestes dias de complacência e orgulho laodicense, existe considerável parola e muita exaltação a respeito da comunhão com Cristo; porém, quão pouca manifestação dessa comunhão nós contemplamos! Onde não existe qualquer senso de completa indignidade; onde não existe qualquer lamentação pela depravação total de nossa natureza; onde não existe qualquer entristecimento por nossa falta de conformidade com Cristo; onde não existe qualquer gemido por havermos sido feitos "prisioneiros" do pecado; em resumo, onde não existe o clamor: "Desventurado homem que sou!", deve haver um grande temor de que ali não existe, de maneira alguma, comunhão com Cristo.
Quando estava andando com o Senhor, Abraão exclamou: "Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza"(Gn.18.27). Estando face a face com Deus, Jó declarou:"Por isso, me abomino"(Jó 42.6). Ao entrar na presença de Deus, Isaías clamou:"Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros"(Is 6.5). Quando teve aquela maravilhosa visão de Cristo, Daniel confessou:"Não restou força em mim; o meu rosto mudou de cor e se desfigurou, e não retive força alguma"(Dn 10.8). Em uma das últimas epístolas do apóstolo dos gentios, lemos:"Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal"(1Tm 1.15). Essas declarações não procederam de pessoas não-regeneradas, e sim dos lábios de santos de Deus. Elas não foram confissões de crentes relaxados; pelo contrário, elas foram proferidas pelos mais eminentes membros do povo de Deus. Em nossos dias, onde encontramos crentes que podem ser colocados lado a lado com Abraão, Jó, Isaías, Daniel e Paulo? Onde, realmente?!Mas eles foram homens que estavam conscientes de sua vileza e indignidade!
"Desventurado homem que sou!"Essa é a linguagem de uma alma nascida de novo; é a confissão de um crente normal(não-iludido, não-enganado). A essência dessa afirmativa pode ser encontrada não somente nas declarações dos santos do Antigo e do Novo Testamento, mas também nos escritos de muitos dos eminentes servos de Cristo que viveram nos últimos séculos. As afirmações e o testemunho pronunciado pelos eminentes santos do passado eram muito diferentes da ignorância e da arrogante jactância dos laodicences modernos! É um refrigério volvernos das biografias de nossos dias para aquelas biografias escritas há muito tempo. Medite nos trechos de biografias que apresentamos em seguida.
Solo Deo Glória.
"Mas", talvez alguns perguntem, "a comunhão com Cristo não produz regozijo, ao invés de gemidos?" Respondemos que a comunhão com Cristo produz ambas as coisas. Isso aconteceu com Paulo. Em Romanos 7.22, ele afirmou:"Tenho prazer na lei de Deus". Logo em seguida, porém, ele clamou:"Desventurado homem que sou!" Outras passagens também nos mostram isso. Em 2 Coríntios 6, Paulo disse:"Entristecidos, mas sempre alegres"(v.10) -entristecido por causa de suas falhas, por causa de seus pecados diários; alegre por causa da graça que ainda permanecia com ele e por causa da bendita provisão que Deus fizera até para os pecados de seus santos. Também em Romanos 8, depois de haver declarado:"Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus"(v.1);"Opróprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados"(vv.16-17), o apóstolo Paulo acrescentou: "Também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo"(v.23). O ensino do apóstolo Pedro é semelhante ao de Paulo - "Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações"(1 Pe 1.6).Tristeza e gemido não se encontram ausentes no mais elevado nível de espiritualidade. Nestes dias de complacência e orgulho laodicense, existe considerável parola e muita exaltação a respeito da comunhão com Cristo; porém, quão pouca manifestação dessa comunhão nós contemplamos! Onde não existe qualquer senso de completa indignidade; onde não existe qualquer lamentação pela depravação total de nossa natureza; onde não existe qualquer entristecimento por nossa falta de conformidade com Cristo; onde não existe qualquer gemido por havermos sido feitos "prisioneiros" do pecado; em resumo, onde não existe o clamor: "Desventurado homem que sou!", deve haver um grande temor de que ali não existe, de maneira alguma, comunhão com Cristo.
Quando estava andando com o Senhor, Abraão exclamou: "Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza"(Gn.18.27). Estando face a face com Deus, Jó declarou:"Por isso, me abomino"(Jó 42.6). Ao entrar na presença de Deus, Isaías clamou:"Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros"(Is 6.5). Quando teve aquela maravilhosa visão de Cristo, Daniel confessou:"Não restou força em mim; o meu rosto mudou de cor e se desfigurou, e não retive força alguma"(Dn 10.8). Em uma das últimas epístolas do apóstolo dos gentios, lemos:"Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal"(1Tm 1.15). Essas declarações não procederam de pessoas não-regeneradas, e sim dos lábios de santos de Deus. Elas não foram confissões de crentes relaxados; pelo contrário, elas foram proferidas pelos mais eminentes membros do povo de Deus. Em nossos dias, onde encontramos crentes que podem ser colocados lado a lado com Abraão, Jó, Isaías, Daniel e Paulo? Onde, realmente?!Mas eles foram homens que estavam conscientes de sua vileza e indignidade!
"Desventurado homem que sou!"Essa é a linguagem de uma alma nascida de novo; é a confissão de um crente normal(não-iludido, não-enganado). A essência dessa afirmativa pode ser encontrada não somente nas declarações dos santos do Antigo e do Novo Testamento, mas também nos escritos de muitos dos eminentes servos de Cristo que viveram nos últimos séculos. As afirmações e o testemunho pronunciado pelos eminentes santos do passado eram muito diferentes da ignorância e da arrogante jactância dos laodicences modernos! É um refrigério volvernos das biografias de nossos dias para aquelas biografias escritas há muito tempo. Medite nos trechos de biografias que apresentamos em seguida.
Solo Deo Glória.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
NÃO QUERO MAIS SER EVANGÉLICO
”Pastores evangélicos criam sindicato e cobram direitos trabalhistas das igrejas.” Esse é o titulo da matéria, chocante, publicada pela revista Veja, de 9 de junho de 1999, anunciando formação do Sindicato dos Pastores Evangélicos no Brasil. É verdade que vimos surgir na Igreja o que poderíamos chamar de “baixo clero”,pastores contratados para “carregar o piano”, enquanto os seus chefes colhem os louros, pastores tratados como obreiros de segunda classe, condenados a serem jogados na “rua da amargura”,por esses”semideuses do Olimpo” que tomaram de assalto a Igreja evangélica, bastando, para isso, que um de seus caprichos não seja atendido. Assim como vimos surgir num dos segmentos da Igreja, o que poderíamos chamar de “a ditadura dos leigos”, exercida por presbíteros e diáconos que, perdendo de vista o conteúdo de suas funções, tornaram-se “donos” da Igreja, exercendo sobre os pastores, na maioria das vezes, inexperientes ou muito sofridos, o tacão da impiedade, muitas vezes, para esconder um mar de pecados dos pretensos “donos” da Igreja. Mas, “pêra lá”, estamos na Igreja, isso não pode ser resolvido assim! Tentar resolvê-lo assim é decretar a falência da Igreja, como nos foi desenhada por Cristo.
Foi à gota d’água! Ao ler a matéria, finalmente me dei conta de que o termo “evangélico” perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e pregador do Evangelho! (boas novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma protestante – o segmento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é, e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai, porque, segundo Jesus, estes são os que o Pai procura e, não por mão-de-obra especializada ou por profissionais da fé. Voltemos à consciência de que o caminho, a verdade e a vida é uma pessoa e não um corpo de doutrinas ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro; uma leitura bíblica
que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra. Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter. Chega dessa “diabose”! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar; voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado de alma resgatada.
Voltemos ao amor, à convicção de que, ser cristão, é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos; voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo! Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam, em profundo amor e senso de dependência, quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. “Pois Jesus disse: Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; daí, e dar-se-vos-à boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.
Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sofreguidão, alimenta na fome, que reparte que não usa o pronome “meu”, mas, o pronome “nosso”. Para que os títulos: pastor, reverendo, bispo, o que estes significam se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo. Para que o clericalismo? Voltemos a ser servos uns dos outros; aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; “onde dois ou três estiverem reunidos em seu nome, eu lá estarei”, de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes! Chega de “show”! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos, onde o povo de Deus é mão-de-obra ou massa de manobra!
Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, á igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao “instruí-vos uns aos outros” (Cl 3.16). Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou ser uma igreja que cresce, mas, uma igreja que aparece: ”Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus.” (Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras “todo o Evangelho ao homem todo, a todos os homens.” Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que “acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos,” sem adulterar a mensagem.
Chega dos herodianos que vivem a namorar o poder, a vender a si e as ovelhas ao sistema corrupto e corruptor; voltemos à escola dos profetas que denunciam a injustiça e apresentam modelos de vida comunitária. Chega do corporativismo, onde todo mundo sabe o que acontece, mas, ninguém faz nada; voltemos ao confronto, como o de Paulo a Pedro (Gl 2.11), que dá oportunidade ao arrependimento e aperfeiçoa como “o ferro afia ferro” (Pv 27.17). Saiamos do “metodologismo”. Voltemos a “ser como o vento, que sopra como quer, ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, e nem para onde vai” (João 3.8).
Não quero mais ser evangélico, como o é entendido, hoje, neste país! Quero ser só cristão. Um cristão integral, segundo a Reforma e os Pais da Igreja. Adorando ao Pai, em espírito e verdade, comungando, em busca da pratica da unidade do “novo homem”, criado por Cristo á sua imagem (Ef 2.15) e praticando a missão integral.
Solo Deo Glória
†Pr.Reinaldo G da Fonsêca
Foi à gota d’água! Ao ler a matéria, finalmente me dei conta de que o termo “evangélico” perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e pregador do Evangelho! (boas novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma protestante – o segmento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é, e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai, porque, segundo Jesus, estes são os que o Pai procura e, não por mão-de-obra especializada ou por profissionais da fé. Voltemos à consciência de que o caminho, a verdade e a vida é uma pessoa e não um corpo de doutrinas ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro; uma leitura bíblica
que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra. Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter. Chega dessa “diabose”! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar; voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado de alma resgatada.
Voltemos ao amor, à convicção de que, ser cristão, é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos; voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo! Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam, em profundo amor e senso de dependência, quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. “Pois Jesus disse: Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; daí, e dar-se-vos-à boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.
Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sofreguidão, alimenta na fome, que reparte que não usa o pronome “meu”, mas, o pronome “nosso”. Para que os títulos: pastor, reverendo, bispo, o que estes significam se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo. Para que o clericalismo? Voltemos a ser servos uns dos outros; aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; “onde dois ou três estiverem reunidos em seu nome, eu lá estarei”, de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes! Chega de “show”! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos, onde o povo de Deus é mão-de-obra ou massa de manobra!
Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, á igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao “instruí-vos uns aos outros” (Cl 3.16). Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou ser uma igreja que cresce, mas, uma igreja que aparece: ”Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus.” (Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras “todo o Evangelho ao homem todo, a todos os homens.” Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que “acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos,” sem adulterar a mensagem.
Chega dos herodianos que vivem a namorar o poder, a vender a si e as ovelhas ao sistema corrupto e corruptor; voltemos à escola dos profetas que denunciam a injustiça e apresentam modelos de vida comunitária. Chega do corporativismo, onde todo mundo sabe o que acontece, mas, ninguém faz nada; voltemos ao confronto, como o de Paulo a Pedro (Gl 2.11), que dá oportunidade ao arrependimento e aperfeiçoa como “o ferro afia ferro” (Pv 27.17). Saiamos do “metodologismo”. Voltemos a “ser como o vento, que sopra como quer, ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, e nem para onde vai” (João 3.8).
Não quero mais ser evangélico, como o é entendido, hoje, neste país! Quero ser só cristão. Um cristão integral, segundo a Reforma e os Pais da Igreja. Adorando ao Pai, em espírito e verdade, comungando, em busca da pratica da unidade do “novo homem”, criado por Cristo á sua imagem (Ef 2.15) e praticando a missão integral.
Solo Deo Glória
†Pr.Reinaldo G da Fonsêca
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